Wednesday, March 17, 2010
Sunday, March 7, 2010
ATENÇÃO
Segundas Lentes
Augusto dos Anjos
O deus-verme
Factor universal do transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na miséria,
Verme — é o seu nome obscuro de batismo.
Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.
Almoça a podridão das drupas agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...
Ah! Para ele é que a carne podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção
#
O fim das coisas
Pode o homem bruto, adstricto à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A limpada aflogística de Davy!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio ...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
Factor universal do transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na miséria,
Verme — é o seu nome obscuro de batismo.
Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.
Almoça a podridão das drupas agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...
Ah! Para ele é que a carne podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção
#
O fim das coisas
Pode o homem bruto, adstricto à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A limpada aflogística de Davy!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio ...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
Thursday, October 1, 2009
O tempo penetra o corpo / O corpo penetra o tempo
O treinamento técnico foi sempre muito presente em minha vida,fiz ballet clássico desde os 3 anos de idade e ao decorrer dos anos passei também pelo jazz dance, dança moderna e até a tal dança contemporânea que hoje me envolve e me motiva à criação. Movimento por movimento? Confesso que gostava de fazer o que fazia, porém existiu sempre uma inquietação de querer e poder mais e eu não entendia porque, apesar de saber que para mim aquilo não era apenas movimento por movimento.
Quando entrei na universidade havia acabado de completar 18 anos, um universo de possibilidades surgiu na minha vida e no meu fazer arte, uma vontade de querer fazer tudo e ao mesmo tempo nada, porque eu não sabia como. Nada do que eu costumava fazer me interessava mais, eu não queria mais estar condicionada àquela ou aquela outra técnica. Não podia anular os códigos presentes consciente e inconscientemente no meu corpo, nem negar que estava sim condicionada “à luz de princípios criadores”. Então por que não utilizá-los e conectá-los a novas possibilidades?!
Deixei-me contaminar por novas linguagens, me apaixonei pela arte do palhaço, pelas ruas, pela criação através de novas lentes e por tudo mais que de alguma forma despertasse um desejo de querer conhecer, saber mais. Percebo que a conexão das distintas ignições que alimentam minhas inspirações artísticas possibilita o intercâmbio de símbolos e significados, tornando meu estudo muito mais prazeroso e flexível.
Venho praticando desde então, com muito mais seriedade o exercício do olhar, observar e perceber o corpo diante seus diversos contextos, comportamentos e ajustes. O corpo mutável em constante transformação, sujeito a padrões, disciplinas e adestramentos. O corpo “Utilizável, transformado, e aperfeiçoado” (Focault).
Quando entrei na universidade havia acabado de completar 18 anos, um universo de possibilidades surgiu na minha vida e no meu fazer arte, uma vontade de querer fazer tudo e ao mesmo tempo nada, porque eu não sabia como. Nada do que eu costumava fazer me interessava mais, eu não queria mais estar condicionada àquela ou aquela outra técnica. Não podia anular os códigos presentes consciente e inconscientemente no meu corpo, nem negar que estava sim condicionada “à luz de princípios criadores”. Então por que não utilizá-los e conectá-los a novas possibilidades?!
Deixei-me contaminar por novas linguagens, me apaixonei pela arte do palhaço, pelas ruas, pela criação através de novas lentes e por tudo mais que de alguma forma despertasse um desejo de querer conhecer, saber mais. Percebo que a conexão das distintas ignições que alimentam minhas inspirações artísticas possibilita o intercâmbio de símbolos e significados, tornando meu estudo muito mais prazeroso e flexível.
Venho praticando desde então, com muito mais seriedade o exercício do olhar, observar e perceber o corpo diante seus diversos contextos, comportamentos e ajustes. O corpo mutável em constante transformação, sujeito a padrões, disciplinas e adestramentos. O corpo “Utilizável, transformado, e aperfeiçoado” (Focault).
Tuesday, September 29, 2009
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